Quando escolheram o mercado imobiliário como atuação profissional, Gustavo Galindo e Ivan Rocha estavam entrando em um setor que ainda carregava uma percepção distante da realidade atual. Mais de 15 anos depois, os dois estão à frente de uma operação que atua na gestão comercial de nove incorporadoras na Paraíba e que reúne cerca de 3 mil corretores de imóveis sob sua supervisão. A trajetória dos sócios-proprietários do Núcleo Imobiliário acompanha, de certa forma, a própria evolução da corretagem de imóveis na Paraíba. Se antes o corretor de imóveis era visto principalmente como o profissional responsável por apresentar um imóvel e conduzir uma negociação, hoje a atividade exige conhecimento de mercado, estratégia, capacitação e uma compreensão cada vez mais aprofundada do cliente.
Gustavo Galindo lembra que o mercado local mudou radicalmente nos últimos anos. Segundo ele, existia um mito antigo de que quando a pessoa não cabia em nenhuma profissão, virava corretor de imóveis. Para ele, isso não faz mais sentido diante da profissionalização do setor. “Hoje temos profissionais de altíssimo gabarito, inclusive de diferentes profissões que migraram para o mercado imobiliário”, afirma.
A formação técnica é apenas o ponto de partida para quem deseja ingressar na corretagem de imóveis. Ivan Rocha explica que, atualmente, o profissional precisa concluir o Ensino Médio, realizar um curso técnico ou superior na área e, posteriormente, obter o credenciamento junto ao Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci).
A qualificação, porém, não termina com a habilitação. “O profissional que vai trabalhar com imóveis precisa ter essa sede de conhecimento tanto sobre novos empreendimentos quanto sobre comportamento do consumidor e mudanças do setor. Tudo muda muito rápido”, aconselha.
No caso dos sócios, a experiência que trouxeram de outras áreas em que atuaram, somada a mais de uma década no mercado imobiliário, fez com que os dois enxergassem oportunidades em um setor que começava a ganhar novas dimensões em João Pessoa. Desde então, os dois empresários passaram de profissionais que atuavam diretamente na intermediação de imóveis para gestores responsáveis por estratégias, produtos e equipes que movimentam uma parcela relevante dos lançamentos imobiliários da capital.
Atualmente, eles trabalham com cerca de 3 mil corretores de imóveis, distribuídos nos grupos das nove incorporadoras que realizam a gestão comercial.
O tamanho da operação ajuda a ilustrar essa mudança de perspectiva. Somente no primeiro semestre de 2026, foram 261 unidades vendidas, que representam R$ 116 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV). Até dezembro, a previsão é que liderem 15 lançamentos imobiliários. Ao lado de Gustavo e Ivan na gestão comercial está a diretora da Lue Consultoria, Taísa Busatta, que compõe uma estrutura voltada à estratégia comercial e ao desempenho dos empreendimentos.
Futuro da profissão
Na avaliação dos sócios, a capital paraibana ainda tem espaço para ampliar sua relevância. Entre os sinais observados por eles está o interesse crescente de fundos de investimento no mercado imobiliário local. “Há pouco tempo, as construtoras tinham dificuldade de estruturar uma operação de crédito com lastro financeiro que não dependesse apenas do próprio aporte. Hoje, o mercado financeiro enxerga não só João Pessoa, mas o Nordeste como uma oportunidade de negócio”, afirma Ivan.
A perspectiva também aparece nos movimentos das incorporadoras que integram a operação. Segundo os sócios, empresas de sua carteira de clientes estão ampliando estruturas, contratando profissionais e projetando investimentos para os próximos anos.Para Ivan e Gustavo, a dimensão financeira do mercado imobiliário é apenas uma parte da atividade.
Por trás de cada unidade vendida existe uma decisão que, muitas vezes, representa uma mudança importante na vida de quem compra. “É a capacidade de transformar vidas, não apenas dos clientes, mas também de corretores de imóveis que fazem parte disso”, resume Gustavo sobre o significado de trabalhar com o mercado imobiliário. Ivan concorda. “No fim das contas, a gente trabalha com sonhos e perspectivas de um futuro melhor”, arremata.
