Eleito no domingo (12), o prefeito Edvaldo Neto (Avante), de Cabedelo, foi alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de fraudes em licitações deflagrada nesta terça-feira (14). Estão sendo cumpridos 21 mandados de busca e apreensão. Entre as cautelares individuais da operação ‘Cítrico’ está o afastamento do gestor.
Após a decisão judicial, a defesa do político se pronunciou através de nota e negou ligação com o crime organizado, além de afirmar que confia na Justiça.
No comunicado, a defesa afirma que recebe a medida com tranquilidade e destaca que se trata de uma decisão cautelar. “A defesa do Prefeito de Cabedelo, Edvaldo Neto, vem a público esclarecer que recebe com serenidade a decisão que determinou seu afastamento cautelar, medida de natureza provisória que não implica qualquer juízo definitivo de culpa”, diz trecho da nota.
Ainda segundo o texto, o prefeito nega qualquer ligação com organização criminosa. “O Prefeito jamais manteve qualquer vínculo ou relação com facção criminosa, sendo tal imputação absolutamente inverídica e incompatível com sua trajetória pública.”
A defesa também afirma confiar no andamento do processo. “Reafirma-se a absoluta tranquilidade quanto à apuração dos fatos, certo de que, no curso regular do processo e sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, todas as circunstâncias serão devidamente esclarecidas.”
A nota destaca ainda que, na véspera da operação, Edvaldo encaminhou à Câmara Municipal um projeto de lei com foco no combate à atuação de facções. “Foi encaminhado ao Poder Legislativo Municipal projeto de lei de caráter ‘antifacção’, que visa proibir a contratação, pela Administração Pública, de pessoas que respondam a processos ou inquéritos relacionados ao tráfico de drogas e à organização criminosa.”
A defesa afirma ainda confiar na reversão da medida. “A defesa confia plenamente nas instituições e no restabelecimento da verdade, convicta de que a inocência do gestor será reconhecida ao final.”
A investigação
A operação Cítrico foi conduzida pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público da Paraíba (Gaeco) e a Controladoria-Geral da União (CGU).
A ação investiga a atuação de uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações, desviar recursos públicos, lavar dinheiro e financiar facção criminosa com atuação no município. A decisão de afastamento foi determinada pelo Poder Judiciário como medida cautelar para preservar as investigações.
De acordo com as apurações, o esquema teria utilizado contratos administrativos para beneficiar empresas ligadas à facção “Tropa do Amigão”, associada ao Comando Vermelho, com inserção de integrantes em estruturas da gestão municipal. A investigação aponta ainda a circulação de recursos públicos em favor do grupo criminoso.
As autoridades identificaram a existência de um suposto consórcio envolvendo agentes políticos, empresários e integrantes da organização criminosa, com foco na manutenção de contratos e distribuição de vantagens ilícitas. Os valores investigados podem chegar a R$ 270 milhões.
Ao todo, estão sendo cumpridos 21 mandados de busca e apreensão, além de outras medidas cautelares, incluindo o afastamento de servidores públicos.
Com Blog do Maurílio Júnior
